Skip to content

Sobre a COP de Paris

Sobre a COP de Paris, entendo que a avaliação de avanço ou não depende da compreensão do contexto da política internacional do clima. Destaco dois pontos, que considero essenciais.

1. Descarbonização

Há consenso científico sobre a necessidade de diminuir a emissão de combustíveis fósseis (petróleo, carvão, xisto…e desmatamento). Outros caminhos, como as energias renováveis, o mercado de carbono, a geoengenharia, o reflorestamento, são paliativos/engodo, se não reduzirmos as emissões dos fósseis. Não há, no acordo de Paris, menção a redução de combustíveis fósseis, resultado do eficiente lobby dos setores interessados, dos países produtores e consumidores, muito bem representados pelos países da OPEP.

Então, em 2015, ainda não conseguimos transformar em consenso político internacional o consenso científico da necessidade de reduzir a queima de combustíveis fósseis. Em síntese, precisaríamos de um conjunto de medidas que obrigassem o desinvestimento em fósseis e o investimento em renováveis. Não complementaridade, ou suplementaridade, como temos hoje, mas redirecionamento de subsídios, tributação pela emissão de fósseis, etc.

2. Diferenciação entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Esse é, desde o início, um “calo”. Em 1997 (quando da assinatura do Protocolo de Quioto), costurou-se um consenso: a UE negociou no sentido de que países em desenvolvimento não tivessem redução de emissão, e esses toparam assinar o tratado. Os EUA não toparam o acordo (assinaram mas não ratificaram). E isso implodiu os resultados de redução de emissão, que foram pífios, como esperado. Desde então, vem se tentando construir alguma coisa que supere essa trava, que mantenha a diferenciação, mas que tire China, Índia e Brasil, por exemplo, da postura confortável de contrariedade de adoção de metas de redução (com um discurso insustentável de direito de se desenvolver poluindo como os outros poluíram). A forma de trazer todos para a mesa e garantir um acordo foi permitir que cada país diga como, quanto e quando quer reduzir as emissões (INDCs – Intended Nationally Determined Contributions). Deu certo, entregaram suas metas. Mas a soma do comprometimento dos países não nos leva a qualquer lugar próximo do “seguro” do ponto de vista climático. Não há forma de verificação clara e transparente estabelecida para avaliar cumprimento das INDCs, e não há sanção estabelecida pelo não cumprimento. Resta a possibilidade de mobilização popular.

É a 21ª reunião. São 21 anos. O primeiro tratado do clima, a Convenção-Quadro, foi assinado em 1992, e já reconhecia o problema. Há inegável avanço do ponto de vista do reconhecimento do problema, da compreensão dos seus efeitos. A popularização do tema está ligada à sua apropriação por grupos sociais distintos, que propõem diferentes respostas para lidar com ele (dos anticapitalistas e ecossocialistas aos defensores da economia de baixo carbono e da economia verde). A influência dos “céticos” ou “negacionistas” diminuiu. Portanto, avançamos, nesses vinte anos, no reconhecimento político do problema (quantificado em quantos graus devemos manter o aumento da temperatura!), mas não há evidências concretas de rompimento com modelo de desenvolvimento centrado nos fósseis.

Por fim, o acordo de Paris traz menções a um mecanismo que viria para substituir os mecanismos de flexibilização de Quioto. O novo mecanismo (internationally transferred mitigation outcomes), que depende ainda de regulamentação, permitirá que países invistam em projetos de redução de emissão em outros países, e recebam os créditos de carbono que deixaram de ser emitidos. Trata-se da mesma fórmula que vem sendo implementada sem sucesso desde 1997, porém ampliada, permitindo o reconhecimento de projetos controversos, como os que envolvem florestas.

Embora o acordo de Paris apresente-se, hoje, como um documento importante para sinalizar o consenso em relação ao problema, não indica, de longe, o caminho necessário para combater as mudanças climáticas, que envolve a adoção de normas que constranjam a emissão de fósseis

19 August, 2015 17:00

The Woman Who Could Stop Climate Change – The New Yorker.pdf

19 August, 2015 16:54

http://www.newyorker.com/magazine/2015/08/24/the-weight-of-the-world

Determinada indenização por pulverização de agrotóxicos em propriedade vizinha

Blog do Centro de Estudos Ambientais

Link to Centro de Estudos Ambientais

Scientific American – The new environmentalism will lead us to disaster

The New Environmentalism Will Lead Us to Disaster

So-called ecopragmatists say we can have a “good Anthropocene.” They’re dead wrong
Jun 19, 2014 |By Clive Hamilton

environmental pragmatism

The argument absolves us all of the need to change our ways, which is music to the ears of political conservatives.
Credit: Doc Searls via Flickr

SA Forum is an invited essay from experts on topical issues in science and technology.

Fourteen years ago, when a frustrated Paul Crutzen blurted out the word “Anthropocene” at a scientific meeting in Mexico, the famous atmospheric chemist was expressing his despair at the scale of human damage to Earth. So profound has been the influence of humans, Nobelist Crutzen and his colleagues later wrote, that the planet has entered a new geologic epoch defined by a single, troubling fact: The “human imprint on the global environment has now become so large and active that it rivals some of the great forces of nature in its impact on the functioning of the Earth system.”

The science behind Crutzen’s claim is extensive and robust, and it centers on the profound and irreversible changes brought by global warming. Yet almost as soon as the idea of the Anthropocene took hold, people began revising its meaning and distorting its implications. A new breed of ecopragmatists welcomed the epoch as an opportunity. They have gathered around the Breakthrough Institute, a “neogreen” think tank founded by Michael Shellenberger and Ted Nordhaus, the authors of a controversial 2004 paper, “The Death of Environmentalism.” They do not deny global warming; instead they skate over the top of it, insisting that whatever limits and tipping points the Earth system might throw up, human technology and ingenuity will transcend them.

As carbon dioxide concentrations pass 400 ppm for the first time in a million years, and scientists warn of a U.S. baking in furnacelike summers by the 2070s, Shellenberger and Nordhaus wrote that by the end of the century “nearly all of us will be prosperous enough to live healthy, free and creative lives.” The answer, they say, is not to change course but to more tightly “embrace human power, technology and the larger process of modernization.”

The argument absolves us all of the need to change our ways, which is music to the ears of political conservatives. The Anthropocene is system-compatible.

This technoutopian vision depends on a belief that, with the advent of the new geologic epoch, nothing essential has changed. This reimagined Anthropocene rests on a seamless transition from the fact that humans have always modified their environments to a defense of a postmodern “cyber nature” under human supervision, as if there is no qualitative difference between fire-stick farming and spraying sulfate aerosols into the stratosphere to regulate Earth’s temperature.

For this reason, respected palaeoclimatologist William Ruddiman’s hypothesis that the Anthropocene began some 8,000 years ago with the onset of farming and forest clearing has immediate appeal to ecopragmatists. It seems to give scientific grounding to the desire to defend the status quo against the evidence that the culprit is technoindustrialism’s aggressive fossil fuel–driven expansionism, which began at the end of the 18th century.

The early-Anthropocene hypothesis effectively dissolves the distinction between the Holocene, which started some 11,700 years ago and encompasses the beginning of agriculture, and the Anthropocene, enabling ecopragmatists to argue that there is nothing inherently preferable about a Holocene Earth—a moral claim that permits the conscious creation of a different kind of planet. Hence, their attraction to geoengineering schemes aimed at regulating solar radiation or changing the chemical composition of the oceans. In the words of the most vocal ecopragmatist, the environmental scientist Erle Ellis, “We will be proud of the planet we create.” Ellis speaks of “the good Anthropocene,” a golden era in which we relinquish nostalgic attachments to a nature untouched by humans and embrace the new epoch as “ripe with human-directed opportunity.”

But the idea of a good Anthropocene is based on a fundamental misreading of science. It arises from a failure to make the cognitive leap from ecological thinking—the science of the relationship between organisms and their local environments—to Earth system thinking, the science of the whole Earth as a complex system beyond the sum of its parts. The early Anthropocene hypothesis goes against strong evidence, provided by Crutzen, Will Steffen and other researchers, that only with the beginning of the industrial revolution can we detect a human influence on the functioning of the Earth system as a whole.

The revolutionary meaning of Earth-system science is lost on the ecopragmatists. In reality, the arrival of the new epoch represents not merely the further spread of human influence across the globe but a fundamental shift in the relationship between humans and the Earth system—one in which human activity now accelerates, decelerates and distorts the great cycles that make the planet a dynamic entity. The radical distinctiveness of the Anthropocene lies in the fact that humans have become a novel “force of nature,” one that is shaping the geologic evolution of the planet. So far-reaching is the impact of modern humans that esteemed palaeoclimatologist Wally Broecker has suggested that we have not entered a new geologic epoch, a relatively minor event on the geologic time scale, but a new era—the Anthropozoic—on a par in Earth history with the development of multicellular life.

Some climate science deniers believe only God can change the climate; ecopragmatists, by contrast, see humans as “the god species.” Here is what the god species and this kind of thinking are certain to give us: an atmosphere with 500 ppm of CO2 (probably closer to 700 ppm) and a climate that is hot, sticky and chaotic. It will indeed take omnipotence to fix the problem without calamity. For those who prefer orthodox climate science, such unbounded optimism is dangerous, wishful thinking.

ABOUT THE AUTHOR(S)

Clive Hamilton is professor of public ethics at Charles Sturt University in Canberra. He is the author of Earthmasters: The Dawn of the Age of Climate Engineering (Yale University Press, 2013).

França, Alemanha e Reino Unido recuam no tema da aviação

RPT-UK, France, Germany attack EU aircraft carbon plan

Fri Dec 6, 2013 4:50am EST

* EU officials to debate the issue on Friday

* Denmark concerned about environment, legal tangles

* Britain says EU Commission misread international mood

By Barbara Lewis

BRUSSELS, Dec 5 (Reuters) – Leading European Union states Britain, France andGermany propose scrapping a plan to make all aircraft pay a carbon charge for using EU airspace, documents seen by Reuters show.

The combined weight of the three powers means there is a strong chance they will get their way, pleasing trading partners such as China.

In a joint document, Britain, France and Germany say they are concerned about “the political acceptability and practical implementation of an airspace-Emissions Trading Scheme”.

EU diplomats, speaking on condition of anonymity, said many of the 28 member states agreed the European Commission’s proposal on charging flights using EU airports for their emissions in EU airspace was impractical, but not all.

Denmark, for instance, has drawn up its own position paper, saying the aviation sector must take responsibility for its share of greenhouse gas emissions.

EU officials will hold a meeting on the issue on Friday.

An EU law on charging aviation for emissions has caused a heated debate and threats of an international trade war.

Eventually the Commission agreed to suspend it for intercontinental flights, but on condition a global alternative was drawn up. The law has remained for intra-EU flights.

The U.N.’s International Civil Aviation Organization (ICAO) in October agreed it would deliver a global plan to curb airline emissions by 2016 for implementation in 2020.

The Commission’s response was to propose just charging aircraft for emissions in EU airspace, rather than for the entire flight.

But Britain, France and Germany’s proposal calls instead for no charges before 2016 when the ICAO will hold another general assembly.

Environmentalists and some members of the European Parliament have condemned the ICAO deal as far too weak and accuse the big powers of being beholden to China.

They note that Britain, France and Germany all have an interest in Airbus, which has played a major lobbying role.

China, which objected to the extraterritorial nature of the EU law, froze Airbus jet orders in protest and some of those purchases are still on ice.

“This is an extraordinary move by the big three repudiating a Commission proposal and pre-empting parliamentary debate even while the ink is barely dry,” Aoife O’Leary, a policy officer at T&E campaign group, said.

“Regulating aviation emissions in Europe’s own airspace is an environmentally effective fix to the aviation ETS after the ICAO resolution.”

‘GLOBAL REALITIES’

Britain says it is just being realistic.

Niall Mackenzie, a senior official at Britain’s Department of Energy and Climate Change, said in London on Thursday the Commission had misread the international mood and was not reflecting “global realities”.

The Danish paper, seen by Reuters, warns of possible legal complications of scrapping the Commission plan.

Possible legal issues, to which the Commission has also pointed, include a lawsuit from low-cost airlines, which say they are at a disadvantage.

These airlines operate almost exclusively within the EU and have never been exempt from the carbon charge.

The Commission is also concerned about opposition from the parliament, whose consent is needed to legalise any amendment.

 

Without its approval, the original law, covering the length of intercontinental flights into EU airports, would reapply, raising the possibility of a new outbreak of trade threats.

Inclusão da aviação internacional no mercado de carbono europeu volta a ganhar força

Mercado de Carbono /
Notícias

Inclusão da aviação internacional no mercado de carbono europeu volta a ganhar força
31/01/2014 – Autor: Jéssica Lipinski – Fonte: Instituto CarbonoBrasil

O Comitê Ambiental do Parlamento Europeu (MEPs) votou nesta quinta-feira (30) a favor da aplicação do Esquema de Comércio de Emissões da União Europeia (EU ETS) para todas as companhias aéreas que operem no espaço aéreo do bloco, embora a França, o Reino Unido e outros países queiram que o esquema se restrinja apenas a voos internos.

A votação é apenas mais um capítulo de um longa história, que já se arrasta há alguns anos. Em 2012, a União Europeia decidiu cobrar de todas as companhias aéreas que chegassem e partissem da UE, internacionais ou não, pelas emissões de voos para ou da Europa.

Depois de muito debate e de retaliações por parte de países como a China, que chegou inclusive a suspender a compra de aeronaves de empresas da UE, os europeus decidiram limitar as emissões apenas de companhias que realizassem voos internos na Europa, exigindo, contudo, que a Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) desenvolvesse uma forma de reduzir as emissões da aviação em todo o mundo.

Em outubro do ano passado, cerca de 190 nações concordaram, em um encontro da OACI, em firmar um acordo global até 2016 para diminuir as emissões do setor aéreo a partir de 2020. O resultado foi mais fraco do que a UE esperava.

Por um lado, a maioria das companhias aéreas internacionais se opõe à ideia original da UE de cobrar pelas emissões de seus voos inteiros. Por outro , as que fazem os voos internos, em sua maioria empresas pequenas e com uma margem de lucro menor, afirmam que a UE não deveria ter suspendido a lei original, e deveria cobrar de todas as linhas aéreas.

A Comissão Europeia deve buscar um acordo até o final de abril, caso contrário a legislação anterior será reaplicada automaticamente.

Backloading

Também nesta quinta-feira, o Comitê Ambiental votou a favor de que a retirada dos 900 milhões de permissões do EU ETS, medida chamada de backloading e que tem como objetivo reduzir o excesso de créditos no mercado, comece já nos próximos meses, embora a data ainda não tenha sido fixada.

Se a retenção ocorrer no primeiro trimestre, 400 milhões de créditos serão suspensos neste ano, 300 milhões em 2015 e 200 milhões em 2016. Caso ocorra depois de março, serão retiradas 350 milhões de permissões neste ano, 350 milhões no próximo e 250 milhões em 2016.

O Comitê de Indústria e Energia quer rejeitar a proposta inteiramente, mas se em três meses o parlamento e o Conselho da UE, que representam todos os 28 governos do bloco, não tiverem mais objeções, o Comitê Ambiental pode transformar a proposta em lei.